|
LIMITES DA FOLHAGEM
Intuo teus passos pelo silêncio do espelho ao relento.
Desperta a noite espalha suas pernas pela casa.
Uma lágrima em teu livro não sabe como se escreve.
Despede-se tantas vezes de si, tumultuada e fria.
Naufrago na sombra das figuras que esboças,
tateando os degraus de tua pele, negras estrofes
e a liturgia de suores confessados ao largo.
Esperas por mim com teus cautelosos vícios.
Uma letra posta em cada murmúrio - o mundo
nos bendiz com sábia incoerência, fibras obsessivas
da beleza, vestígios de tua nudez vagando pela casa.
Lágrima crepitando em sigilo, resina de ruínas,
vocação de paisagens assentadas fora de si:
teus passos afligem o outono, desfolhado amiúde.
poema & colagem: floriano martins
junho de 2007
|